Clique aqui para ler essa e outras notícias sobre o que foi discutido no Seminário Internacional O Impacto da Corrupção sobre o Desenvolvimento, promovido pelo Valor Econômico e Instituto ETCO.
País perde até 2,3% do PIB por ano
As práticas de corrupção no Brasil subtraem da economia um montante que
vai de R$ 51,4 bilhões, em um cenário razoável, a R$ 84,5 bilhões, na
pior das situações. Significa um desvio entre 1,38% e 2,3% do Produto
Interno Bruto (PIB). No ranking mundial da “corrupção percebida”, um
indicador estabelecido pela ONG Transparência Internacional com 180
países, o Brasil ocupa a 73ª posição, atrás de nações como Porto Rico
(39º), Coreia do Sul (43º), Kuwait (54º) e Malásia, que está no 60º
posto. A pontuação, que vai de 0 a 10 – com 0 indicando o pior nível –
já foi de 2,7 em 1995 para o Brasil e agora está em 3,8, abaixo da média
global de 2011, de 4,05.
O Índice de Percepção da
Corrupção (ICP), divulgado desde 1995 pela ONG, é um indicador
subjetivo, formado pela opinião de empresários e instituições. Mesmo
assim, o nível de corrupção percebida do Brasil é consistente com a
relação observada com o PIB per capita e o Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) do país, valores baseados em dados estritamente quantitativos. O custo da corrupção pode ser entendido como sendo o
montante de recursos que deixa de ser aplicado no país – seja em
atividades produtivas, saúde, educação, tecnologia etc – porque é
desviado para o pagamento das práticas corruptas.
O índice serve de
referência para instituições como a Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp). “Considerando o cenário menos corrupto, de R$ 51,4
bilhões ou 1,38% do PIB, o desvio corresponde a 7,2% do montante que o
Brasil investe em máquinas, equipamentos, construção civil e
infraestrutura. E 26% do que gasta em educação e 88% do que investe em
pesquisa e desenvolvimento”, diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor
titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.
Cálculos feitos por outra
metodologia, pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estimam
em R$ 18 bilhões o total de verbas de “uso duvidoso” em 2011. “As verbas
envolvem tanto aquilo que pode ser suspeito como pode ser simplesmente
incompetência, porque a Controladoria Geral da União (CGU) – de onde são
extraídos os dados – investiga se o recurso do município foi bem
utilizado; e às vezes é mau utilizado não por má fé, mas por incompetência. Vale lembrar que no Brasil a incompetência é realmente
muito grande e não tem como separar uma coisa da outra “, diz Marcos
Fernandes G. da Silva, professor e pesquisador da FGV.
Silva é autor dos livros
“Ética e Economia”, “Economia Política da Corrupção no Brasil” e
“Formação Econômica do Brasil: Uma Reinterpretação Contemporânea”. Nos
livros, ele se vale de “vários estudos que foram sendo atualizados sobre
uma mesma metodologia”. “É um exercício de engenharia econômica onde
procuro calcular o custo de oportunidade do dinheiro desviado, ou seja, o
que se poderia fazer em termos de investimentos em políticas públicas,
por exemplo, com o recurso que foi a princípio desviado.”
Marcos Fernandes da
Silva, professor da FGV, acrescenta que quando se faz o cálculo do custo
de oportunidade do dinheiro “roubado” é preciso levar em conta o valor
que esse dinheiro teria no futuro. “Se ele fosse investido de forma
adequada em educação, em acumulação de capital, isso geraria retorno
para os indivíduos e para a sociedade.”

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